Ataques intensos dos EUA e Israel atingem Irã após ameaça de Trump
Ataques aéreos intensos dos Estados Unidos e Israel atingiram instalações militares, danificaram um importante local de culto e causaram cortes de energia no Irã nesta terça-feira(31), depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou destruir suas usinas elétricas.
Apesar dos esforços diplomáticos, a guerra no Oriente Médio não dá sinais de distensão após mais de um mês de hostilidades que paralisaram a economia global e deixaram milhares de mortos.
Imagens de vídeo verificadas pela AFP mostraram pelo menos duas fortes explosões e colunas de fumaça em Isfahan, no centro do Irã. A mídia estatal informou que a Grande Hosseiniya, um centro religioso xiita, foi danificada em Zanjan, no noroeste do país, onde quatro pessoas morreram.
Sem fazer comentários, Trump publicou outro vídeo em sua rede Truth Social, cuja autenticidade a AFP não conseguiu confirmar, que mostra fortes explosões.
A agência de notícias Fars havia relatado "diversas explosões" e cortes de energia "em algumas áreas" de Teerã.
A agência de notícias Tasnim mencionou explosões no leste e oeste da capital, além de cortes de energia que foram posteriormente resolvidos.
Pouco antes dos relatos, o Exército israelense pediu aos moradores de um bairro de Teerã que permanecessem em suas casas devido a um possível ataque à "infraestrutura militar".
Moradores da capital iraniana disseram à AFP nos últimos dias que não tiveram outra escolha a não ser se apegar às suas rotinas, dominados pela ansiedade dos constantes bombardeios.
"Ultimamente, tenho ficado em casa quase o tempo todo e só saio se for absolutamente necessário", disse Shahrzad, uma dona de casa de 39 anos.
"Às vezes, me pego chorando em meio a tudo isso. Sinto falta dos dias normais... De uma vida em que eu não precisava pensar constantemente em explosões, morte ou na perda de meus entes queridos", lamentou.
- Abram o Estreito de Ormuz "imediatamente" -
As mensagens da Casa Branca sobre um possível fim para o conflito são ambíguas. Segundo o Wall Street Journal, Trump disse a seus assessores que optará pela diplomacia em vez de uma ação militar para conseguir a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
Publicamente, no entanto, Trump ameaçou o Irã com ataques às suas instalações energéticas caso as negociações não cheguem a uma conclusão bem-sucedida "rapidamente" e se o país não desbloquear o estreito "imediatamente", por onde transita um quinto dos hidrocarbonetos do mundo.
Ele mencionou a ilha de Kharg, onde fica o maior terminal de petróleo do Irã, como alvo, e não descartou uma operação terrestre contra ela, bem como contra suas usinas de energia, poços de petróleo e "talvez todas as usinas de dessalinização".
De fato, a imprensa iraniana noticiou na terça-feira que uma dessas usinas de dessalinização na ilha de Qeshm, em Ormuz, foi desativada devido a um ataque.
O governo iraniano também informou que os ataques tiveram como alvo uma empresa farmacêutica que fabrica medicamentos contra o câncer.
- Retaliação no Golfo e em Jerusalém -
Em meio ao cerco ao seu território, o Irã também continuou disparando durante a noite, especialmente contra "agressores inimigos" no Golfo. Um jornalista da AFP ouviu pelo menos 10 explosões sobre Jerusalém, após um alerta sobre mísseis iranianos emitido pelo exército israelense.
Em Dubai, explosões foram ouvidas novamente pela manhã, segundo jornalistas da AFP no local. Lá, quatro pessoas já haviam ficado feridas por destroços de foguetes durante uma interceptação de defesa aérea, enquanto um petroleiro com bandeira do Kuwait foi atingido por um ataque de drone perto do porto.
A Arábia Saudita afirmou ter repelido oito mísseis balísticos, sem especificar sua origem, e relatou dois feridos após abater um drone.
— "Incidentes muito graves" —
Segundo o WSJ, Trump disse a seus assessores mais próximos que está preparado para interromper sua campanha militar, acreditando que forçar a reabertura do Estreito de Ormuz prolongaria o conflito "para além do prazo de quatro a seis semanas".
Caso a diplomacia falhe, o magnata planeja pedir a seus aliados europeus e do Golfo que forcem a reabertura do estreito, disseram autoridades americanas ao jornal.
Mas, contrariando as exigências do republicano, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um projeto de lei para impor pedágios a navios que transitam pelo estreito e proibiu a passagem para os Estados Unidos e Israel, de acordo com a mídia estatal.
A guerra envolveu diversos outros países do Oriente Médio, incluindo o Líbano, depois que o grupo islamista Hezbollah atacou Israel em solidariedade ao Irã no início de março.
Em Nova York, a ONU realizará uma reunião de emergência do seu Conselho de Segurança nesta terça-feira, às 14h00 GMT (11h00 em Brasília), na sequência dos "incidentes muito graves" em que três soldados de paz indonésios da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) foram mortos.
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Q.Weiss--BlnAP