'Emergência humanitária' no enclave espanhol de Ceuta após entrada em massa de migrantes do Marrocos
Centenas de migrantes entraram, nesta quinta-feira (30), a partir do Marrocos, no enclave espanhol de Ceuta, na África, juntando-se aos 1.500 que o fizeram nos últimos dias, enquanto as autoridades da cidade alertam para uma "emergência humanitária".
Ceuta e o outro enclave espanhol, Melilla, no Marrocos, são as únicas fronteiras terrestres que a União Europeia tem com a África.
Centenas de pessoas entraram em massa, ao meio-dia desta quinta-feira, por uma passagem fronteiriça no sul deste território de 18,5 km², enquanto agentes da Guarda Civil espanhola se limitavam a observar, constatou uma jornalista da AFP.
Este é a maior entrada de pessoas em Ceuta desde maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes chegaram, em apenas dois dias, à cidade autônoma vindos do Marrocos.
Muitos migrantes chegaram felizes nesta quinta-feira, comemorando a chegada e agradecendo à polícia espanhola, enquanto alguns gritavam "Adeus Marrocos, olá Espanha!", indicou a jornalista da AFP, que observou em uma praia várias boias redondas e roupas abandonadas por aqueles que chegaram nadando.
Imagens de emissoras locais mostraram dezenas de homens e adolescentes chegando pelo mar, vindos do vizinho Marrocos, à costa da cidade.
"Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social", alertou o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE.
"Nos últimos dias, chegaram a Ceuta por via marítima mais de 1.500 migrantes", a um ritmo de "200 pessoas por dia", razão pela qual "os centros de acolhimento encontram-se colapsados e saturados", afirmou.
"O Governo da Espanha está totalmente empenhado em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta. Estamos mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais e preparando as medidas necessárias para recuperar a normalidade o mais rápido possível", declarou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, no X.
O mandatário socialista conversou, ao longo do dia, com Vivas, que lhe expôs "com total clareza e crueza a gravidade da situação", segundo indicou o Governo de Ceuta.
- Crise diplomática com Marrocos -
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que viajará à cidade autônoma na sexta-feira (31) "para acompanhar a evolução da situação", indicou seu gabinete.
Em um comunicado, o Ministério do Interior destacou "a colaboração da Espanha com Marrocos em todos os âmbitos, inclusive em matéria migratória", ao apontar as "redes de tráfico de pessoas" como responsáveis pelas entradas em massa.
Ambos países implementarão "medidas para a entrega" ao Marrocos, "o mais rápido possível, de todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta", acrescentou o comunicado.
Até 15 de julho, o governo não havia registrado nenhum imigrante que tivesse chegado a Ceuta por mar neste ano. Em 2025, apenas quatro migrantes entraram no enclave por essa via.
A principal rota de entrada dos migrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago atlântica das Canárias, em frente à costa da África.
P.T.Bartels--BlnAP