Mau tempo em cuba dificulta reconexão elétrica após apagão
Cuba começou nesta segunda-feira a restabelecer o fornecimento de energia, após o sexto apagão geral deste ano, mas o mau tempo provocado pelas chuvas voltou a afetar a rede.
Várias áreas do país estão sem luz desde ontem, em meio à crise energética e ao bloqueio petroleiro imposto pelos Estados Unidos.
Os cubanos não escondem seu cansaço e impotência diante dos apagões, que ultrapassaram 30 horas consecutivas na capital nas últimas semanas. Já no interior do país, eles podem durar dias.
"Desde sexta-feira, só tive uma hora e meia de eletricidade, não tem água, não tem nada, o que nós cubanos estamos vivendo não é vida", disse à AFP Mayra Rodríguez, uma contadora de 43 anos, que dorme na varanda de seu apartamento com seus dois filhos pequenos para aguentar o calor do verão.
A ilha de 9,4 milhões de habitantes sofre cortes de eletricidade diários que duram horas, devido ao estado obsoleto de suas usinas termelétricas. A situação se agravou desde janeiro, com restrições dos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo.
Segundo a estatal União Elétrica de Cuba (UNE), uma "oscilação de frequência" paralisou uma termelétrica no leste da ilha. "O sistema colapsou totalmente" na noite de ontem, acrescentou.
Esse foi o 6º apagão geral do ano e o 11º desde o fim de 2024. Apenas 24 horas antes do último corte total, 5 das 15 províncias do país haviam ficado às escuras devido a uma falha na rede.
Ao meio-dia de hoje, sete províncias do oeste e centro de Cuba haviam sido reconectadas ao Sistema Elétrico Nacional, e o serviço estava disponível em metade de Havana. Horas mais tarde, porém, a UNE informou que "eventos climáticos afetaram a rede, incidindo diretamente nas unidades geradoras que estavam em operação", o que interrompeu o processo de restabelecimento do serviço.
Fortes chuvas e tempestades elétricas foram registradas na capital cubana. A UNE não informou o alcance dos danos nem o número de áreas afetadas.
- 'Insustentável' -
O mecânico Carlos Dueñas, 62, mostrava-se exausto, devido ao que descreveu como conjuntura "insustentável". "Ninguém diz quando poderá melhorar. Enquanto isso, temos que aguentar firme, nem todos têm dinheiro para comprar painéis", disse.
Havana atribui o grave estado de sua rede elétrica às medidas punitivas de Washington, enquanto o governo dos Estados Unidos insiste que a responsabilidade é do governo cubano e da má gestão da economia.
As sete usinas termelétricas que constituem a base do sistema elétrico cubano, com mais de 40 anos de operação, sofrem avarias constantes.
O bloqueio petroleiro imposto por Washington dificulta o fornecimento de combustível para estas usinas e para os geradores de reserva, que costumam funcionar com diesel importado.
Segundo o governo cubano, nos últimos sete meses Washington só permitiu a chegada de um navio-tanque russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto.
O governo do presidente americano, Donald Trump, também intensificou as sanções contra estatais cubanas, o que levou muitas companhias estrangeiras a suspenderem suas operações no país, reduzindo assim a entrada de divisas.
E.Becker--BlnAP