Argentina estima que visita do papa mobilizará sete milhões de fiéis
O governo argentino estimou, nesta segunda-feira (21), que cerca de sete milhões de fiéis se mobilizarão para a visita do papa Leão XIV, de 8 a 11 de novembro, como parte de sua viagem pela América do Sul, que também inclui Uruguai e Peru.
Será a primeira visita de um papa à Argentina em 38 anos. Seu antecessor, o papa argentino Francisco, nunca retornou ao país natal desde que foi nomeado em 2013 até sua morte, em 2025.
Em quatro dias, o atual líder da Igreja Católica celebrará três missas em espaços abertos e participará de encontros apostólicos na capital argentina e nas províncias de Buenos Aires e Córdoba, no centro do país, segundo a agenda do Vaticano.
O papa chegará do Uruguai e concluirá sua viagem no Peru.
"O programa reflete a amplitude desta visita. Em quatro dias, ele terá encontros pastorais, ecumênicos e inter-religiosos", afirmou o chanceler Pablo Quirno em coletiva de imprensa ao lado de representantes da Igreja e do governo.
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, detalhou que a Argentina se prepara "para a maior operação de segurança de sua história", que abrangerá "três jurisdições, três aeroportos, 11 eventos fechados e três grandes eventos, para os quais se espera um público total de sete milhões de pessoas".
O governo nacional avalia decretar dias de folga especiais ou feriados nacionais para facilitar a mobilização dos fiéis.
Leão XIV chegará no domingo (8) ao aeroporto metropolitano de Buenos Aires e será recebido no mesmo dia pelo presidente Javier Milei na sede do governo. Depois, o papa se reunirá com representantes da sociedade civil.
Na segunda-feira (9), visitará o Pequeno Cottolengo Don Orione, uma casa católica de acolhimento e cuidados para pessoas com deficiência, grupo social que teve verbas cortadas pelo governo Milei como parte de seu ajuste fiscal.
A visita ocorre enquanto o Congresso analisa o orçamento de 2027 enviado pelo Executivo, que propõe novos cortes para a área.
"É uma visita pastoral, uma visita apostólica", respondeu o arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, aos jornalistas ao deixar a Casa Rosada.
"Há muitas conclusões que podem ser tiradas da visita em termos sociais e humanitários, mas não político-partidários", acrescentou.
Em Buenos Aires, o pontífice também terá encontros com representantes da juventude e do mundo do trabalho, além de líderes de comunidades cristãs e de outras tradições religiosas.
J.P.Hoffmann--BlnAP