Xi propõe a Trump 'controle humano' da inteligência artificial
Em visita aos Estados Unidos, o presidente chinês, Xi Jinping, propôs, nesta quinta-feira (24), ao anfitrião, seu par americano, Donald Trump, desenvolver a inteligência artificial (IA) sob controle humano, após ser recebido com todas as honras na Casa Branca.
Concorrentes diretos na corrida vertiginosa da IA, os dois países devem manter uma relação "sem conflito, nem confronto" para o bem de toda a humanidade, propôs o presidente chinês.
A IA, assim como a segurança e a tecnologia, são "temas urgentes", disse Trump ao recebê-lo.
Um pouco antes, no entanto, Trump tinha reiterado através das redes sociais: "Quero deixá-la exatamente onde está", publicou, em alusão às pesquisas deste setor, destinado a revolucionar a economia mundial.
"As decisões que tomarmos hoje nestes âmbitos podem promover a paz e a prosperidade durante décadas e décadas", acrescentou Trump, assegurando que alcançou uma "verdadeira grande amizade" com Xi.
- Retorno aos EUA após 11 anos -
Onze anos após sua primeira visita de Estado a Washington, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, foram recebidos por Trump e a primeira-dama, Melania, com tapete vermelho e ao som e uma banda militar.
Rapidamente, os dois casais entraram na residência presidencial para iniciar reuniões.
China e Estados Unidos mantêm uma trégua após uma guerra comercial entre as duas potências desencadeada pelo 'tarifaço' imposto por Trump. Pequim retaliou com suas próprias tarifas, e os dois países decidiram congelar a escalada.
Essa suspensão vai se estender por dois meses até 10 de janeiro, anunciou o secretário do Tesouro, Scott Bessen, na véspera, após a chegada de Xi.
A China, cuja economia também sofreu com a instabilidade no Oriente Médio e a crise de abastecimento de petróleo, tem interesse em manter o status quo.
E Trump, que tem no horizonte eleições de meio de mandato cruciais dentro de pouco mais de um mês e um sério impasse na guerra contra o Irã, quer garantir a neutralidade da China.
Após uma primeira rodada de discussões, será realizado um desfile militar, com 21 salvas de canhão e o sobrevoo de uma esquadrilha da Força Aérea americana.
- Manter o diálogo militar -
No setor da IA, Trump é partidário de manter o que considera uma vantagem americana.
Diretores das principais empresas de IA, como Anthropic e OpenAI, pediram este tipo de regulamentação diante do avanço vertiginoso de suas próprias pesquisas.
Estes diretores foram convidados ao jantar de gala na noite desta quinta-feira.
Nos diálogos preliminares de domingo entre Bessent e seu homólogo chinês, He Lifeng, foi abordada a criação de um canal de comunicação para as preocupações sobre a IA.
Mais complicada é a posição de Pequim diante da guerra que Trump iniciou juntamente com Israel contra o Irã, que agora também afeta todo o Golfo e a Arábia Saudita, que sofre com ataques dos houthis pró-Irã.
Veículos de imprensa americanos citam fontes anônimas, segundo as quais Pequim forneceu a Teerã informação de inteligência para ataques contra tropas americanas.
"Nossas duas forças armadas devem manter um diálogo regular e melhorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises", propôs Xi.
Taiwan também estará na agenda dos diálogos.
A visita de Xi será concluída na manhã de sexta-feira com um chá para os dois casais presidenciais e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde está guardada a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
D.W.Ernst--BlnAP