Seleção do Irã se despede de Tijuana com apoio de torcedores mexicanos
Eliminada na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, a seleção do Irã deixou Tijuana nesta terça-feira (30) sob aplausos de torcedores mexicanos que haviam ido prestar uma última homenagem antes do retorno da equipe a Teerã.
Pouco mais de 150 pessoas se reuniram em frente ao hotel do 'Team Melli' na esperança de conseguir autógrafos dos jogadores antes que o avião decolasse, naquela mesma manhã, da cidade localizada no noroeste do México.
Enquanto alguns integrantes da seleção asiática autografavam álbuns de figurinhas da Panini, bandeiras e bolas de futebol, a multidão gritava: "Irán, hermano, ya eres mexicano!" ("Irã, irmão, você já é mexicano!"), relataram jornalistas da AFP.
Foi uma demonstração de carinho que emocionou profundamente a seleção iraniana, que ficou concentrada no México durante o torneio e enfrentou diversos obstáculos extracampo para disputar suas partidas da fase de grupos da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
"Em nome de Deus, deixamos Tijuana hoje, mas nossos corações e almas permanecem aqui. O povo do México e o país são uma parte de nós", disse o técnico Amir Ghalenoei.
"Não conseguimos passar da fase de grupos, mas, graças a Deus, saímos com orgulho e honra", acrescentou.
O Irã empatou todas as suas três partidas do Grupo G da Copa do Mundo de 2026: contra a Nova Zelândia (2–2), Bélgica (0–0) e Egito (1–1).
A equipe esperava ficar entre as oito melhores terceiras colocadas e se classificar para a fase de mata-mata pela primeira vez em sua história.
No entanto, um dramático empate em 3 a 3 conquistado pela Áustria contra a Argélia nos acréscimos acabou eliminando o Irã.
Este amargo resultado encerra uma Copa do Mundo que ficará marcada na história, devido às tensões decorrentes da guerra no Oriente Médio travada pelos Estados Unidos desde o final de fevereiro.
Nunca antes um país-sede de Copa do Mundo havia estado em conflito aberto com um país participante.
A presença do Irã no torneio norte-americano esteve incerta até o último momento.
Em vez de instalar sua base de treinamento no Arizona, a seleção se mudou de última hora para a cidade mexicana de Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos.
Os Estados Unidos se recusaram posteriormente a conceder vistos a 15 integrantes da delegação iraniana, incluindo o presidente da federação de futebol, Mehdi Taj, um ex-membro da Guarda Revolucionária, organização considerada terrorista por Washington.
A equipe se sentiu "maltratada" e criticou duramente as restrições que os obrigaram a chegar um dia antes das duas primeiras partidas em Los Angeles.
As autoridades americanas acabaram por permitir a chegada dos iranianos dois dias antes do último jogo, em Seattle.
Nesta terça-feira, a equipe deixou uma nota final em Tijuana, como faziam após cada partida, lamentando "uma série de decisões, condições logísticas e circunstâncias que minaram o sentimento de equidade".
J.P.Hoffmann--BlnAP