Enviados dos EUA viajam ao Paquistão sem garantia de negociação direta com Irã
Enviados dos Estados Unidos viajam ao Paquistão, neste sábado (25), para uma nova rodada de negociações com o Irã, em meio a um frágil cessar-fogo, embora não haja garantias de que as conversas sejam diretas.
A guerra foi deflagrada por um ataque conjunto dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro e desde então já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, onde uma trégua precária também está em vigor.
O Paquistão, que atua como mediador entre as partes beligerantes, passou dias tentando facilitar a retomada do diálogo iniciado há duas semanas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a Islamabad na noite de sexta-feira para manter conversas com altos funcionários paquistaneses. Ele já se reuniu com o comandante do Exército, Asim Munir, segundo imagens compartilhadas no X pela embaixada iraniana na capital paquistanesa.
No entanto, "nenhuma reunião está agendada entre o Irã e os Estados Unidos", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, na mesma plataforma.
Ele esclareceu que seu país transmitiria sua posição aos americanos por meio dos mediadores paquistaneses.
- "Salvar a própria cara" -
O Ministério da Defesa do Irã acredita que os Estados Unidos estão buscando "salvar a própria cara".
"Nosso poderio militar é hoje uma força dominante, e o inimigo busca uma maneira de salvar a própria cara para se desvencilhar do atoleiro bélico no qual ficou preso", declarou um porta-voz do ministério citado pela agência Isna.
Os enviados do presidente dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajam ao Paquistão para negociar "com representantes da delegação iraniana" a pedido de Teerã, afirmou a Casa Branca.
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA há duas semanas, poderá juntar-se a eles posteriormente caso haja avanços, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Após o Paquistão, o ministro das Relações Exteriores do Irã seguirá sua viagem, que o levará a Omã e à Rússia.
Em Teerã, onde o Aeroporto Internacional Imam Khomeini foi reaberto neste sábado, segundo a televisão estatal iraniana, prossegue a onda de execuções de indivíduos acusados de colaborar com Israel durante os protestos contra o governo em janeiro.
Erfan Kiani foi executado por enforcamento após a Suprema Corte confirmar sua sentença, informou o Mizan Online, site do Judiciário iraniano.
- Mortos no Líbano -
O tráfego marítimo permanece interrompido no Estreito de Ormuz, atualmente sob um duplo bloqueio iraniano e americano. Antes da guerra, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo passavam por essa via.
Na frente libanesa, o cessar-fogo, prorrogado por três semanas, permanece frágil.
O Ministério da Saúde do Líbano registrou, na sexta-feira, seis mortes e dois feridos resultantes de ataques israelenses na região sul do país.
Israel afirmou ter matado seis membros do grupo pró-iraniano Hezbollah, o qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusa de tentar "sabotar" o "processo que visa alcançar uma paz histórica entre Israel e o Líbano".
O movimento xiita, que arrastou o Líbano para a guerra com seus disparos de foguetes contra Israel em 2 de março, opõe-se a negociações diretas e considera a prorrogação da trégua "sem sentido", devido aos persistentes "atos de hostilidade".
Negociações diretas com Israel "equivaleriam a um reconhecimento do inimigo", disse à AFP Ahmad Chumari, de 74 anos, que aproveitou a trégua para deixar Sidon, onde havia se refugiado, e retornar à sua aldeia no sul do Líbano.
Chumari deseja que o cessar-fogo seja "permanente".
No entanto, na sexta-feira, as forças militares israelenses emitiram um novo chamado para a evacuação de uma aldeia no sul do Líbano, o primeiro chamado desse tipo desde o anúncio, na quinta-feira, da prorrogação do cessar-fogo.
A agência oficial de notícias libanesa NNA relatou posteriormente um ataque israelense em Deir Aames.
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K.Koch--BlnAP